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Política

Cervejaria que doou R$ 3 milhões para Taques é alvo da Lava Jato

Nova fase da operação mira doações suspeitas feitas Grupo Petrópolis

Ressaca | 31 de Julho de 2019 as 11h 32min
Fonte: Jamerson Miléski

A Polícia Federal deflagrou hoje, quarta-feira (31), a 62ª fase da Operação Lava Jato. O alvo dessa vez são os pagamentos de propina disfarçados de doação de campanha, feitas pela Cervejaria Petrópolis – detentora das marcas Itaipava, Petra e Crystal. A operação, denominada “Rock City” cumpre 39 mandados de prisão e de busca e apreensão em Cuiabá e outros 14 municípios de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em Cuiabá, foi cumprido mandado de busca e apreensão dentro do Condomínio Residencial Parque Pantanal I, no Bairro Jardim Aclimação.

Na eleição de 2014, o Grupo Petrópolis fez doações de campanha para 10 candidatos em todo país através do CNPJ 73.410.326/0001-60. No total, a cervejaria investiu R$ 24,8 milhões financiando campanhas na última eleição presidencial que o expediente era permitido. A maior beneficiária das doações foi a campanha da ex-presidente Dilma Roussef (PT), que recebeu R$ 17,5 milhões. Rui Costa, candidato a governador da Bahia pelo PT foi o segundo maior beneficiado, com R$ 4 milhões.

O 3º candidato que mais recebeu dinheiro do Grupo Petrópolis foi Pedro Taques (PDT), governador eleito de Mato Grosso em 2014. A campanha de Taques recebeu uma injeção de R$ 3 milhões da cervejaria. Em Mato Grosso, o candidato a deputado federal, Adilton Sachetti (PSB), também recebeu R$ 100 mil.

Em Mato Grosso, o Grupo Petrópolis foi beneficiado com incentivos fiscais, gozando de uma redução na base de cálculo de 90% do valor do ICMS próprio e por substituição tributária incidente nas operações de comercialização interna das mercadorias: Cerveja tipo Pilsen; Cerveja Lata; Chopp. Esse incentivo foi concedido em 2012, antes de Taques e atualmente é alvo de uma investigação da Delegacia Fazendária. A suspeita é de que o Estado deixou de arrecadar cerca de R$ 800 milhões em função do incentivo.

 

A operação

Segundo a investigação da PF, o Grupo Petrópolis teria auxiliado a Odebrecht a pagar propina através da troca de Reais no Brasil por dólares em contas no exterior. As investigações da Lava Jato envolvendo o Grupo Petrópolis remontam a 2016, quando uma planilha com nomes de políticos e referência à cerveja Itaipava foi achada na casa do executivo da construtora Odebrecht Benedicto Junior.

Segundo delação do executivo, a construtora utilizou o Grupo Petrópolis para realizar doações de campanha eleitoral para políticos de outubro de 2008 a junho de 2014.

Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Ao todo, 120 policiais cumprem 1 mandado de prisão preventiva, 5 de prisão temporária e 33 de busca e apreensão, em cooperação com o Ministério Público Federal e com a Receita Federal.

O objetivo é apurar o pagamento de propinas travestidas de doações de campanha eleitoral realizada por empresas do grupo investigado, que também teria auxiliado o Grupo Odebrecht a pagar valores ilícitos de forma oculta e dissimulada, através da troca de reais no Brasil por dólares em contas no exterior, expediente conhecido como operações dólar-cabo.

Segundo a PF, os fatos investigados guardam estrita relação com as atividades do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, responsável por viabilizar os pagamentos ilícitos do grupo de forma profissional e sofisticada, para evitar o rastreamento dos valores e a descoberta dos crimes pelas autoridades de persecução penal.

A suspeita é que offshores relacionadas à Odebrecht realizavam - no exterior - transferências de valores para offshores do grupo investigado, o qual disponibilizava dinheiro em espécie no Brasil para realização de doações eleitorais.

Um dos executivos da Odebrecht, em colaboração premiada, afirmou que utilizou o grupo investigado para realizar doações de campanha eleitoral para políticos de outubro de 2008 a junho de 2014, o que resultou em dívida não contabilizada pela Odebrecht com os investigados no valor de R$ 120 milhões. Em contrapartida, a Odebrecht investia em negócios do grupo investigado.

Conforme a Polícia Federal, o esquema desenvolvido com os alvos da Lava Jato  é uma das engrenagens do aparato montado pela Odebrecht para movimentar valores ilícitos destinados sobretudo para pagar propina a funcionários públicos da Petrobras e da administração pública brasileira e estrangeira.

Também foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados. Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal no Paraná, onde serão interrogados.

O nome da operação, “Rock City”, traduzido do inglês, significa “Cidade de Pedra”, o que remete ao grupo investigado.

 

 

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