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Política que mata gente

| 26 de Abril de 2019 as 15h 51min

Em março, o governo do Estado sinalizou que transmitiria R$ 4milhões para prefeitura de Sinop fazer a duplicação da MT-140 – a estrada que dá acesso a Santa Carmem – no trecho entre a BR-163 até o aeroporto do Canarinho. O recurso teve a articulação do deputado federal Juarez Costa (MDB), e do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (DEM), historicamente oponentes políticos, mas que parecem estar aprendendo a trabalhar conjuntamente.

Os R$ 4 milhões representam apenas 40% do valor total dessa obra. Caberia ao município – com ou sem parceria com a iniciativa privada – arranjar os outros R$ 6 milhões. Difícil, mas necessário.

Um murmúrio dos bastidores, daqueles que parecem ser absurdos demais para ser verdade, dá conta de que a gestão municipal não estaria tão motivada em fazer essa obra. A conversa enviesada veio na mesma semana que a prefeita de Sinop, Rosana Martineli (PR), “pediu” (e foi só um pedido mesmo), para o governador do Estado, Mauro Mendes, recursos para pavimentação da Estrada Nanci. Foi o suficiente para que se começasse a confabular que a prefeita, ao invés de fazer a duplicação da MT-140, usaria os R$ 4 milhões para pavimentar a Estrada Nanci.

Por enquanto, não passa de um boato político. Não há nada oficial. O fuxico, no entanto, abre uma oportunidade de discutir porque a duplicação da MT-140 é mais importante que a pavimentação da Estrada Nanci.

Dentro de 6 meses a Caixa Econômica começará a entregar os 1.440 apartamentos do Residencial Nico Baracat. Quando os contemplados concluírem a mudança, serão mais de 4,3 mil pessoas morando nesse conjunto. O principal acesso é a MT-140.

Nessa região estão outros 7 projetos de loteamento em andamento (entre os que aguardam aprovação e os que estão em comercialização). Todos com perfil popular, que em geral possuem alta densidade demográfica.

Além disso, a MT-140 é uma rodovia de pista simples, com 6 metros de largura, mas que corta o perímetro urbano de Sinop. Entre os veículos de passeio, motos e bicicletas que transitam por essa estrada estadual, também há uma quantidade significativa de caminhões, sejam carregados de grãos, escoando a safra, ou de madeira, abastecendo as serrarias ainda instaladas ao longo da via.

Em 6 meses a MT-140 se tornará exatamente o que era a Bruno Martini em 2012, antes de ser duplicada: uma via de alto fluxo, acesso único a uma região em franca expansão urbana, onde motos disputam espaço com veículos de carga. Basicamente um corredor de moer gente.

Se a prefeita Rosana tiver que escolher uma única obra estruturante para na sua gestão, que seja a MT-140. Que as vaidades políticas sejam deixadas de lado e as dificuldades financeiras contornadas estabelecendo prioridade. Caso opte por pavimentar a estrada Nanci em detrimento da MT-140, Rosana terá que carregar consigo pelo menos um pouco de culpa por cada acidente que for acontecer na rodovia.

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