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Notícias dos Poderes

Desorientado pela paixão

| 23 de Abril de 2020 as 11h 03min

O excesso de bajulação ao presidente Jair Bolsonaro, demonstrado diariamente pelo deputado federal José Medeiros (Podemos), está começando a colecionar críticas entre as lideranças políticas do Estado.

Nesta semana, quem parou para comentar as postagens que Medeiros em suas redes sociais foi o chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho. O homem do governo Mauro Mendes disse que Medeiros “deveria trabalhar mais pelo Estado do que ficar falando abobrinha”.

Medeiros, que é vice-líder do Governo Bolsonaro na Câmara Federal, havia feito uma postagem criticando Mauro Mendes por assinar, junto a outros 19 governadores, uma carta em apoio ao Congresso Nacional. A carta em si foi uma resposta às críticas feitas por Bolsonaro ao Congresso Nacional, nas manifestações do último domingo. “No lugar de ficar fazendo coro pra Lula, em ações orquestradas pelo comunista Flávio Dino, os mato-grossenses certamente prefeririam o gestor do estado aplicando o tal plano de ação de combate à crise. Na Capital e, sobretudo no interior, até agora, ninguém viu...”, postou Medeiros.

Esse, e outros tantos discursos proferidos por Medeiros em suas redes sociais, mais parecem falas de agitadores fanáticos e quase anônimos do Bolsonarismo do que uma posição de um membro da Câmara Federal. Evocando os bordões mais rasos da extrema-direita, como “anti-Lula” e “comunismo”, Medeiros tenta usar a figura do presidente a fim de captar para si atenção e apoio popular. A tática é utilizada de forma tão constante que não sobra espaço para um discurso mais elaborado ou um raciocínio mais coeso do deputado. É um vazio de ideias preenchido por gritos de “Mito, Mito, Mito”.

O chefe da Casa Civil foi apenas o primeiro a externar sua crítica a Medeiros. Outros o fazem, sem ser publicamente. O caminho escolhido pelo deputado tende a torná-lo uma “ilha”, isolado em uma bolha que talvez faça silenciar o barulho da sua história pregressa, de um homem que saiu da Polícia para entrar no Senado graças a uma ata fraudada. Esse é o deputado que tenta ser o “porta voz” de Bolsonaro. Um crítico ferrenho que entrou na política sendo suplente de Pedro Taques (PSDB).