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Tecnologia desenvolvida em Sinop salva um tucano do sacrifício

Prótese projetada em 3D corrigiu má formação do bico dando condições da ave se alimentar

Ciência | 15 de Setembro de 2015 as 15h 30min
Fonte: Jamerson Miléski

“Bicolino” é o sugestivo nome do tucano abrigado em um centro de proteção de animais localizado em Cubatão, no interior de São Paulo. Justamente pelo mal formado bico, a ave que não conseguia se alimentar sozinha estava condenada a ser sacrificada. A tecnologia desenvolvida em Sinop pelo designer 3D, Cícero Moraes, ajudou a reescrever essa história e prolongar a vida do animal.

Cícero e os demais profissionais na Ebrafol (Equipe Brasileira de Antropologia Forense e Odontologia Legal), foram procurados após a notória aparição no Fantástico – programa dominical da Rede Globo – quando desenvolveram próteses para uma jabuti que havia perdido o casco e um tucano (o Zeca), com o bico quebrado. Os cuidadores do Bicolino pediram se a equipe poderia fazer algo para prolongar a vida do animal, que seria sacrificado, pois não conseguia se alimentar.

O pedido foi atendido. Os profissionais fizeram o escaneamento fotográfico do tucano para fazer a digitalização do crânio e do bico mal formado. “É a mesma técnica que utilizamos para a reconstrução facial de humanos, a partir dos crânios”, comentou Cícero.

As formas de Bicolino foram contrastadas com o bico de um tucano saudável. A partir disso foi gerada em 3D uma imagem da prótese personalizada, com encaixe e funcionalidade compatíveis com um tucano em sua perfeita forma. O molde foi materializado através de uma impressora em 3D. Impressa em plástico, formada por duas peças de encaixe, a prótese ainda recebeu uma resina para ficar com a coloração natural da espécie. A impressão e o tratamento da superfície foram feitas pelo doutor Paulo Miamoto, dentista de formação, membro fundador da Ebrafol e parceiro de Cícero no desenvolvimento da tecnologia.

Com o bico pronto era hora de implanta-lo. Os veterinários Roberto Fecchio e Bruna Diniz Bayarri conduziram a cirurgia, realizada na segunda metade de agosto. O procedimento foi um sucesso, assim como a prótese. Segundo Cícero, Bicolino estranhou pouco a “nova ferramenta” e já está completamente adaptado, se alimentando sozinho.

A tecnologia que ganhou notoriedade após a reconstrução da face de Santo Antônio de Pádua deve continuar sendo aplicada para fazer as vezes de São Francisco de Assis. Segundo Cícero existem pelo menos outras duas aves que serão atendidas pela Ebrafol e receberão próteses para os bicos. “As pessoas tem nos procurado para ajudar esses animais. É um trabalho prático, muitas vezes com pouca relevância histórica, mas que traz um resultado determinante para esses animais”, explica o designer.

A mesma tecnologia já foi aplicada na saúde humana. A Ebrafol recebeu menção honrosa no 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica pelo desenvolvimento de órteses por fotogrametria para o tratamento de displasia – uma doença que compromete a formação do quadril. A tecnologia auxilia pacientes que sofrem com a má formação, melhorando o tratamento e aumentando a qualidade de vida dessas crianças que normalmente ficariam engessadas. A órtese substitui o gesso, sendo mais fácil de ser instalada e retirada.

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