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Notícia do Jabuti que ganhou casco de plástico percorre o mundo

Prótese projetada por sinopense vira notícia positiva do Brasil replicada em 42 idiomas

Repercussão | 02 de Junho de 2016 as 17h 42min
Fonte: Jamerson Miléski

Notícia foi replicada em 42 diferentes línguas |

Freddy detém um título inédito entre os da sua espécie. O jabuti fêmea (o termo correto é jabota), “correu” o mundo através de notícias replicadas pelos principais veículos de comunicação do planeta. A história da “jabota” vítima de um incêndio florestal, que recebeu um casco de plástico, foi contada em 42 diferentes idiomas.

Parte dessa repercussão começou aqui, no site GC Notícias. Em março de 2016 nós noticiamos a pintura realística feita sobre o casco de plástico do animal, com uma sequência de fotos mostrando o passo a passo. A matéria teve acesso em diferentes pontos do globo e muitos dos veículos que replicaram a noticia citaram o GC Notícias como fonte. Uma TV da Noruega chegou enviar um email solicitando a permissão para utilizar as imagens postadas no GC Notícias.

Segundo Cícero Moraes, o designer 3D que reside em Sinop, responsável pelo projeto do casco da jabuti Freddy, a notícia se tornou um “viral” no mundo quase um ano após ser noticiada no Brasil. “A primeira matéria saiu no Fantástico ainda em 2015, e foi um estrondo. Nessa segunda fase, já em 2016 e que envolve a pintura do casco, nós tivemos a cobertura por parte do Domingo Espetacular. Mas a notícia se tornou viral mesmo quando foi publicada em jornais como o The Mirror e Daily News da Inglaterra e saiu na CBS TV dos EUA. O GC Notícias foi citado inúmeras vezes em notícias internacionais como referência da fonte da informação”, comenta Cícero.

A reabilitação que rendeu a fama internacional para Freddy foi realizada pelos “Vingadores Brasileiros”, que no estrangeiro foram reportados como “Animal Avengers” – uma referência direta ao grupo de super-heróis dos quadrinhos da Marvel. Os “Vingadores” são um grupo independente de cientistas, pesquisadores e profissionais ligados a medicina animal que realizam voluntariamente cirurgias para reabilitação de animais que perderam parte do seu corpo. A equipe utiliza próteses personalizadas, projetadas e impressas em 3D, com as mesmas dimensões e características das partes perdidas pelos animais.

Foi assim com Freddy, que perdeu mais de 80% do seu casco em um incêndio florestal. Ele passou pelo diagnóstico com a equipe e teve suas medidas “tomadas”. O que sobrou da carapaça de Freddy foi o ponto de partida para a confecção de uma prótese, composta por 4 partes que se encaixam. Além de funcional, a prótese recebeu uma pintura realística, reproduzindo as cores da jabota com fidelidade. O resultado final chamou a atenção do mundo.

Para Cícero, esse tipo de repercussão ajuda a criar uma imagem positiva do Brasil no restante do mundo. O país raramente é visto como uma referência no desenvolvimento da ciência e as campanhas ambientalistas no exterior retratam a constante agressão à Floresta Amazônica, gerando a impressão que o Brasil não possui nenhuma preocupação com a natureza. “A notícia do nosso trabalho teve tanta repercussão pelo ineditismo, por mostrar a generosidade com os animais e por estar alinhado com as novas tecnologias relacionadas a impressão 3D. Acaba sendo uma mensagem que enaltece o lado bom das pessoas e as ajuda a alimentar iniciativas próprias relacionadas a esse campo, não apenas com os animais em geral, mas com o ser humano”, comenta Cícero.

Para o designer, a amplitude que o feito tomou mostra que o Brasil contribui efetivamente com a ciência, apresentando uma nova forma de ver o país que nos últimos meses ganha os noticiários internacionais com manchetes de corrupção. “Esse tipo de iniciativa nos posiciona como vanguardistas de uma tecnologia interdisciplinar que demanda muita dedicação e envolve muitos riscos, afinal, estamos lidando com seres vivos”, analisa Cícero. A repercussão mundial mostrou que é esse tipo de iniciativa que a humanidade espera.

Fazem parte dos “Vingadores”, da esquerda para a direita: Matheus Rabello, veterinário (Brasília), Paulo Miamoto, cirurgião dentista (Santos-SP), Roberto Fecchio, veterinário (Santos-SP), Cícero Moraes, designer 3D (Sinop-MT), Sérgio Camargo, veterinário (São Paulo-SP), e Rodrigo Rabello, veterinário (Brasília).

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