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Artigo

A Letra do Médico

20 de Agosto de 2019 as 16h 04min

O breve relato de que nem o farmacêutico entendeu o que estava escrito na receita médica é tão comum que você nem imagina, se fossemos ouvir uma parte da população usuária do sistema público de saúde é possível que teríamos manifestos importantes a favor da opinião, porém, o fato de não ter a letra tão legível também não é unanimidade, é preciso distinguir a letra feia da letra escrita de forma não legível.

Vários questionamentos sempre me fora dirigido quanto a escrita destes profissionais e até punição teria sido sugerida para que tal feito fosse corrigido, uma vez que o usuário do serviço de saúde pública se sente lesado por vários motivos, podemos elencar, primeiro: a ausência do medicamento na unidade publica (descrito na receita), segundo: o não entendimento da escrita pelo farmacêutico (já na rede privada), terceiro: o retorno no medico de origem para reescrever qual o medicamento fora indicado, e em quarto lugar para completar o desgaste, ele descobre que o medicamento indicado se enquadra na lista da Instrução Normativa – IN nº 11 de 28/09/2016 da ANVISA que: Dispõe sobre a lista de medicamentos isentos de prescrição, LIMP. Ou seja, pode até ser comprado sem receita medica, (salientando aqui o risco e a contraindicação do uso de medicamento sem prescrição medica), mas por aí já dá pra entender o motivo do descredito de toda estratégia, uma vez que o usuário insatisfeito acumula toda angustia do mal acometido a todas as possíveis falhas por menor que seja cometida pelo serviço público e naturalmente não consegue separar as responsabilidades na prestação do serviço.

Vamos aos esclarecimentos, é necessário separar as responsabilidades respeitando as peculiaridades de cada profissão, cada profissional se baseia sua conduta amparado pela lei do exercício profissional e nas normativas de seus respectivos conselhos, não há uma unanimidade entre os conselhos de classes especificamente sobre o assunto, embora todas prezam o bem estar do usuário, dessa forma, aplicar uma regra a ser utilizada em larga escala a todos os profissionais pode encontrar inconsistência e inclusive ineficácia em sua aplicação, tudo em decorrência das normativas que regulamenta as atividades profissionais de cada categoria, exemplo: médicos seguem a normativa do Conselho Regional de Medicina (CRM), fisioterapeutas segue as normativas do Conselho Regional de Fisioterapia (CREFITO) a equipe de enfermagem seguem as normas do Conselho Regional de Enfermagem (COREN) e assim sucessivamente, o multiprofissionalismo na saúde por mais que seja eficiente, torna a organização de todo o conjunto bastante complexa e talvez pela falta de informação, o cidadão se vê em completo estado de abandono e a margem do desespero sem saber a quem recorrer, mais isso é assunto para outro momento, por hora vamos a letra dos profissionais médicos (motivo do qual me foi solicitado esclarecimentos).

A letra inelegível não tem relação com a falta de estudo ou com o aluno de mal desempenho e nem com o não aprendizado correto da medicina, o brasil tem grandes especialistas de referencia inclusive para o mundo com uma caligrafia carente de uma boa leitura de imediato.

Historicamente se questiona a letra do médico, e em decorrência disso há lendas, estórias e relatos duvidosos e carente de entendimento.

Porém, há 03 teorias aceitas no mundo literário quanto a caligrafia deste profissionais, a primeira é de que quando não existiam laboratórios farmacêuticos, os boticários e apotecarios (que não deixam de ser laboratórios) responsáveis pela produção de remédios desenvolvia seus trabalhos quase que de forma independente da atuação medica e por muitas vezes substituía o médico na indicação de medicamentos, daqueles que não tinham acesso aos serviços de saúde (daí nosso costume de ir direto a farmácia e não ao medico primeiro, quando somos acometidos pelos males), com o avanço da medicina e as evidencias cientificas, foi surgindo a necessidade de separar as atribuições de cada profissional, certo mesmo é que para que o paciente não fabricasse seu próprio medicamento e não corresse o risco de envenenamento e morte pelo uso inadequado de tal medicamento (que eram a base de ervas bastante conhecidas) os médicos faziam as prescrições com a letra um tanto embaralhada de forma proposital, assim somente os apotecarios saberiam de fato o componente correto, a medida e dose do remédio a ser produzido. A segunda teoria é de para se formar medico, apenas medico (não clinico geral), são necessário no mínimo 06 anos de estudos, a partir daí, as especialidade que vão de 02 a 05 anos, sem contar as subespecialidades, de forma geral, um especialista em determinada área da medicina pode levar mais de 10 anos pra ter um titulo reconhecido como especialista e esse período de estudo não se faz com lápis e borracha que você apaga, redesenha e espera correção, por ser muito minucioso o entendimento do corpo humano e com o tempo limitado, costumeiramente se anota tudo que vê, ouve e lê, na expectativa de não perder nenhuma informação durante sua vida acadêmica, daí vem a letra que geralmente ele próprio entende bem.

E por fim, a terceira e ultima teoria aceita é que a maioria dos médicos no passado eram homens e geralmente teria letra menos legíveis que as mulheres, por serem menos detalhista na elaboração do texto, visto que importa é a receita correta e não a cor da caneta.

Bom, verdade absoluta ou apenas um mito, a letra não legível do médico pode causar transtorno sim, da forma em que já citamos ou ate pela tentativa de adivinhar a prescrição medica.

Na tentativa de solucionar tais problemas que são alvo de muitas queixas hoje em dia, alguns municípios mantem projetos e leis aprovadas na ideia de obrigar os profissionais a escrever de forma com que todos entendam qual seria a medicação descrita por ele, leis que não pratica, não tem efeito algum, até por que já existe uma Lei Federal de 1973 especificamente no artigo 35 da lei nº 5.991: “Somente será aviada a receita: a) que estiver escrita a tinta, em vernáculo, por extenso e de modo legível, observados a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais; [...]”, entretanto, quem regulamenta e fiscaliza o exercício profissional medico é o Conselho Regional de Medicina (CRM) que tem seu código de ética medico e diz: “Cap. III, Art. 11 - É vedado ao médico: receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível [...]”, portanto já existe leis e normas, tudo que precisa é aplicar, desconheço qualquer profissional de qualquer natureza que tenha respondido processo ético por não ter letra legível. De qualquer forma, vale mais uma boa conversa com o seu medico e a conferencia da prescrição ainda no consultório para que não haja dúvida.

Entendo que a solução para o problema seja mais fácil que se imagina, as leis teria mais eficácia se obrigasse os município, estados e união a equipar as unidades de saúde e só permitisse seu funcionamento com todo aparato devido, como remédios, exames, consultório equipados, sistema de informação e interfaceamento em rede para todas as atenções (primária, secundária e terciária), tudo de acordo com a estratégia afim, e em especial computador e impressora suficiente para o médico, bem como para toda equipe, simples assim!

Se você quer saber mais sobre a lista de medicamentos que podem ser comprados sem receita medica, acesse o link abaixo, e para não ter dúvidas sobre o seu uso, a indicação, a dose, a relação com a alimentação e outros cuidados afins bem como o horário em que se deve tomar, insisto mais uma vez na necessidade de consulta medica, consulta e/ou orientação do farmacêutico responsável para compra desses medicamentos. Até a próxima.

http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/3034151/IN_11_2016_COMP.pdf/37ee2338-1f01-484e-bbf4-1b5d932fcb57

Manoelito Rodrigues

Falando de Saúde

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